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Diversificar é preciso

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A complexidade da agricultura torna cada vez mais difícil a obtenção de altas produtividades de forma sustentável. Ainda que o avanço genético e técnico contribuam para a melhoria das condições de cultivo através do emprego de cultivares moderas e técnicas de manejo que visam o aumento da produção, práticas básicas da agricultura sustentável não podem ser esquecidas para a manutenção da produtividade e viabilidade dos cultivos, sendo uma das principais, a rotação de culturas.

Embora popularmente conhecida, essa prática ainda é pouco difundida, dando lugar muitas vezes para a sucessão de culturas. A rotação de culturas é definida como sendo a alternância ordenada de diferentes culturas, em determinado espaço de tempo (ciclo), na mesma área e na mesma estação do ano. A sucessão de culturas é definida como o ordenamento de duas culturas na mesma área agrícola por tempo indeterminado, cada uma cultivada em uma estação do ano (Franchini et al., 2011).

A rotação de culturas é uma das bases do sistema plantio direto, sendo responsável pela redução da pressão de pragas e doenças auxiliando na sustentabilidade do cultivo. Além disso, a rotação de culturas possibilita a melhoria de atributos físicos e biológicos do solo, atuando na macroporosidade, densidade, microbiota e fauna edáfica do solo (Bertol et al., 2004), contribuindo também para a maior infiltração de água no solo, redução da erosão superficial e ciclagem de nutrientes.

O Professor da UFPR-Palotina e supervisor do Grupo Supra Pesquisa, Laércio Pivetta chama atenção para a sucessão soja-milho safrinha no sistema de produção da soja. Segundo Laércio, esse sistema traz vários benefícios, entretanto quando utilizado a longo prazo pode resultar em alguns problemas. O ideal é buscar estratégias que possibilitem a diversificação de culturas, aproveitando janelas de produção onde não são cultivadas as culturas principais economicamente, buscando mitigar os problemas ocasionados pela sucessão de culturas.

Mix de plantas de cobertura assim como plantas de cobertura solteiras como a braquiária ou crotalária podem ser cultivadas com o intuito de diversificar o sistema ou até mesmo controle de algumas pragas como nematóides fitopatogênicos no caso da crotalária.

Em sistemas de produção onde o cultivo do milho safrinha esta consolidado, apresentando também importante contribuição econômica para o sistema, pode-se utilizar estratégias como o consórcio entre milho e braquiária, possibilitando o cultivo do milho sem abrir mão da diversificação de culturas e benefícios trazidos pelo cultivo da braquiária.

Figura 1. Consócio milho -braquiária.

Foto: Gessí Ceccon

Especialmente se tratando de áreas onde há uma elevada infestação e histórico de ocorrência de plantas daninhas, a produção de palhada é extremamente importante para a redução dos fluxos de emergência de plantas daninhas, especialmente plantas fotoblásticas positivas. Além disso, a diversificação de culturas permite a utilização de distintas práticas de manejo dependendo da cultura empregada, possibilitando o controle de pragas e doenças e suas respectivas plantas hospedeiras, sendo uma valiosa ferramenta para o manejo fitossanitário e redução dos custos de produção do sistema.

Confira o vídeo abaixo com as dicas e contribuições do Professor e Pesquisador Laércio Pivetta.

Referências:

BERTOL, I. et al. PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO SOB PREPARO CONVENCIONAL E SEMEADURA DIRETA EM ROTAÇÃO E SUCESSÃO DE CULTURAS, COMPARADAS ÀS DO CAMPO NATIVO: SEÇÃO VI – MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. R. Bras. Ci. Solo, 28:155-163, 2004. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/rbcs/v28n1/a15v28n1.pdf >, acesso em: 24/02/2021.

FRANCHINI, J. C. et al. IMPORTÂNCIA DA ROTAÇÃO DE CULTURAS PARA A PRODUÇÃO AGRÍCOLA SUSTENTÁVEL NO PARANÁ. Embrapa, Documentos, n. 327, 2011. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/897259 >, acesso em: 24/02/2021.