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Resistência do azevém a herbicidas

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A partir do surgimento da soja geneticamente modificada que permitiu a utilização do glifosato em pós emergência para o controle de planta daninhas, esse passou a ser o herbicidas mais utilizado mundialmente no controle de plantas daninhas na cultura da soja. Entretanto, a constate utilização do produto safra após safra no controle de plantas daninhas aumentou a pressão de seleção sobre alguns biótipos, selecionando plantas daninhas resistentes ao herbicida.

Uma delas é o azevém (Lolium multiflorum), segundo Lorenzi (2014), o azevém é uma planta anual ou bianual, pertencente a familília Poaceae, é uma planta considerada herbácea, cespitosa, ereta, de altura média variando entre 30-90cm, além disso a planta pode formar touceiras.

Figura 1. Planta adulta de azevém (Lolium multiflorum).

Fonte: Moreira & Bragança (2010).

Figura 2. A esquerda, plântula de Lolium multiflorum, a direito, sementes de Lolium multiflorum.

Fonte: Lorenzi (2014).

Segundo Vargas; Gazziero; Karam (2011), o azevém é uma planta muito utilizada para produção de forragem ou palhada para o sistema plantio direto, especialmente nas regiões Sul do Brasil onde o clima subtropical é bem definido e as estações frias favorecem o desenvolvimento da planta. Entretanto, a elevada produção de sementes e facilidade de dispersão fazem do azevém uma planta daninha indesejada nos cultivos de inverno, especialmente nas culturas do trigo, aveia, cevada, centeio e triticale. Além disso as sementes contidas no banco de sementes do solo permanecem viáveis por um longo período de tempo, o que torna o azevém uma planta daninha persistente nas áreas de cultivo.

Segundo Yamashita & Guimarães (2013), a resistência do azevém ao glifosato já é conhecida desde 2001. Entretanto o cenário da resistência do azevém a herbicidas é ainda mais preocupante, pois além das plantas apresentarem resistência simples ao herbicidas conforme casos observados por Rizzard; Roman; Vargas (2003), a planta daninha apresenta casos de resistência múltipla a herbicidas (weedscienci.org).

Segundo informações contidas em weedscienci.org, casos de resistência do azevém a outros herbicidas foram observados por Agostinetto; Mariani; Vargas (2010) para inibidores de ALS; Agostinetto et al. (2010) para inibidores da ACCase e inibidores da EPSPs; Agostinetto et al. (2016) para inibidores da ACCase e inibidores da ALS e Agostinetto et al. (2017) para inibidores de ALS e inibidores da EPSPs

Tendo em vista a severidades da problemática trazida pela resistência do azevém a diferentes mecanismos de ação de herbicidas, é fundamental buscar alternativas que possibilitem o controle eficiente dessa planta daninha e preferencialmente antes da sua produção de sementes evitando a disseminação da espécie.

 Uma das principais alternativas propostas por Vargas et al. (2015) é a rotação de mecanismos de ação de herbicidas, privilegiando o uso de herbicidas aos quais ainda não há resistência conhecida dessa planta daninha.

Figura 3. Mecanismos de ação de herbicidas aos quais o azevém apresenta resistência e mecanismos de ação alternativos para emprego no controle da planta daninha.

Fonte: Vargas et al. (2015).

Além disso, cabe destacar que conforme observado por Pereira; Carvalho; Dal Magro (2017), onde os autores avaliaram diferentes herbicidas no controle de dois biótipos de azevém, a resistência da planta daninha ao herbicida pode estar intimamente ligada ao biótipo, sendo que plantas distintas podem responder de forma a diferir quando ao grau de resistência e susceptibilidade aos herbicidas.

Os autores avaliaram dos biótipos de Lolium multiflorum onde foram aplicados diferente herbicidas nos estádios de 3-4 folhas e pré-florescimento da planta daninha. Conforme observado na tabela 1, os biótipos responderam de forma diferente a aplicação dos herbicidas, entretanto, para ambos quando aplicados em estádios de maior desenvolvimento da planta (pré-florescimento) o controle foi inferior a aplicação em 3-4 folhas, destacando a importância do estádio de desenvolvimento da planta daninha na eficiência do controle.

Tabela 1. Nível de controle (relativo à testemunha) de dois biótipos de Lolium multiflorum em dois estádios de crescimento, aos 14 dias após aplicação de herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

Fonte: Pereira; Carvalho; Dal Magro (2017).

Conforme os resultados apresentados no trabalho, os autores concluem que para o controle de azevém, os melhores resultados forma observados quando utilizado paraquat; paraquat+diuron (controle superior a 85%), entretanto para as condições do presente estudo todos os herbicidas avaliados apresentaram eficiência de controle superior a 85% aos 28 dias após a aplicação do produto quando o controle foi realizado em plantas com 3-4 folhas. Confira o estudo completo clicando aqui.

Assim como a rotação dos mecanismos de ação de herbicidas, praticas culturais como evitar áreas de pousio, cultivando sempre culturas que promovam boa cobertura do solo também são fundamentais para o manejo integrado da resistência do azevém, assim como a utilização de herbicidas pré-emergentes. Áreas de integração lavora pecuária devem ter atenção redobrada. O ideal é realizar a quarentena dos animais antes de liberar a entrada dos desses na área de cultivo, visando diminuir a dispersão de sementes não só do azevém mas também de outras plantas daninhas as quais os animais possam ter se alimentado.

Referências:

LORENZI, H. MANUAL DE INDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS: PLANTIO DIRETO E CONVENSIONAL. Instituto Plantarum, 2014.

MOREIRA, H. J. C.; BRAGANÇA, H. B. N. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE PLANTAS INFESTANTES: CULTIVOS DE VERÃO. Campinas, 2010.

PEREIRA, L. V.; CARVALHO, L. B.; DAL MAGRO, T. CONTROLE QUÍMICO DE Lolium multiflorum: EFEITO DO BIÓTIPO E DA ÉPOCA DE APLICAÇÃO. Revista de Ciências Agroveterinárias, Lages, v.16, n.3, p.338-341, 2017.

VARGAS, L. et al. AZEVÉM RESISTÊNTE: MANEJO E CONTROLE. II Colóquio Internacional sobre Plantas Daninhas Resistentes a Herbicidas, 2015.

VARGAS, L.; GAZZIERO, D. L. P.; KARAM, D. AZEVÉM RESISTENTE AO GLIFOSATO: CARACTERISTICAS, MANEJO E CONTROLE. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 298, 2011.

WEEDSCIENCE. INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE. Disponível em: <http://weedscience.org/Pages/Case.aspx?ResistID=5546>, acesso em: 14/09/2020.

YAMASHITA, O. M.; GUIMARÃES, S. C. RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AO HERBICIDA GLYPHOSATE. Varia Scientia Agrária, v. 3, n. 01, 2013.

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